Unati mostra que aprender não tem idade
Alunos encontram na Universidade Aberta à Terceira Idade novas experiências, convivência e atividades que estimulam aprendizagem, criatividade e bem-estar
Para quem chega à terceira idade depois de anos de trabalho, a aposentadoria pode representar uma mudança significativa na rotina. Na Universidade Aberta à Terceira Idade da Unoeste, Unati, porém, esse momento também pode abrir espaço para novos aprendizados, amizades e experiências.
É o que aconteceu com Virgínia Cerussi. A aposentada entrou no projeto em 2023 e está no sexto semestre. Para ela, a experiência marcou uma mudança na forma de viver o período depois da aposentadoria.
“Foi um diferencial na minha vida. Foi uma linha divisória entre ficar em casa desmotivada e, de repente, conhecer a Unati”, conta.
Entre as atividades, Virgínia encontrou oportunidades para experimentar música, coral, teatro, atividade física e artes. A aquarela, que nunca havia praticado antes de entrar no projeto, tornou-se uma das experiências que mais gosta.
Aprendizagem que mantém o cérebro ativo
A variedade de atividades também representa diferentes formas de estimular o cérebro. Segundo Elton de Freitas, professor da Unati Unoeste e também docente da faculdade de Medicina, onde ministra aulas de Anatomia e Neuroanatomia, a capacidade de aprender permanece durante toda a vida.
Com o envelhecimento, algumas pessoas podem precisar de mais tempo, repetição ou estratégias diferentes para assimilar informações. Isso, porém, não significa perda da capacidade de aprendizagem.
Um dos motivos é a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de modificar seu funcionamento e sua organização a partir das experiências.
“Aprender é mudar o nosso cérebro”, explica o professor.
Para ele, experiências como educação, leitura, atividades culturais, aprendizagem contínua e interação social também podem contribuir para a construção da chamada reserva cognitiva, relacionada à capacidade de o cérebro utilizar suas redes de maneira eficiente e encontrar alternativas para realizar determinadas tarefas.
”Experiências acumuladas durante a vida como: educação, atividade profissional, aprendizagem contínua, leitura, atividades culturais, lazer intelectualmente estimulante e interação social, estão associadas à construção dessa reserva. Por isso, continuar aprendendo ao longo da vida pode fazer parte de um processo de envelhecimento cognitivamente mais ativo”.
Conviver também faz parte do aprendizado
A experiência na Unati não se resume às atividades realizadas em sala. A convivência é outro aspecto destacado pelos participantes.
Ana Freitas, aposentada e aluna há cerca de um ano e meio, encontrou no projeto um ambiente de companheirismo. “Aqui é como uma família”, explica.
Entre as atividades, a música é a preferida de Ana. Ela também destaca o contato com os professores e a possibilidade de participar de aulas que, além de educativas, apresentam informações relacionadas à vida cotidiana e aos direitos das pessoas idosas.
“Me sinto mais viva ainda," afirma Ana, que segue feliz e apressada pelos amigos do grupo, para mais aulas do projeto ao longo da tarde.
De acordo com o Freitas, a própria socialização pode representar um estímulo cognitivo. Uma conversa, por exemplo, envolve escuta, interpretação, memória, reconhecimento de emoções e organização de respostas.
Assim, aprender e conviver fazem parte de uma mesma experiência. Na Unati, os participantes têm contato com diferentes conteúdos e atividades enquanto ampliam as relações sociais.
Aquarela une técnica e criatividade
Entre as atividades está a aula de Aquarela e Arte Criativa, ministrada pela professora Neide Beneduzzi Medalha. Para ela, a pintura pode contribuir para o bem-estar dos alunos ao proporcionar concentração e expressão.
“A aquarela não é terapia, ela é terapêutica. Nessa fase da vida, que eu também me encontro, a atividade é de um de benefícios para saúde mental incalculável. Ela acessa o nosso inconsciente, as nossas dores emocionais e lembranças enquanto pintamos,” explica.
A professora conta que, a cada semestre, os alunos costumam trabalhar um tema e estudar como desenvolvê-lo artisticamente. Atualmente, a proposta é livre, permitindo que cada participante explore diferentes possibilidades de criação.
Ao final do curso, a professora organiza exposição com os trabalhos desenvolvidos ao longo do semestre.
A experiência também representa uma oportunidade de descoberta. Foi o caso de Virgínia, que passou a praticar aquarela somente depois de ingressar na Unati Unoeste.
Envelhecer também pode significar descobrir
Manter o cérebro ativo, porém, não deve ser confundido com uma promessa de prevenção de doenças neurológicas. O docente ressalta que aprender, ler ou participar de atividades intelectuais não impede alguém de desenvolver demência.
A aprendizagem faz parte de um conjunto mais amplo de hábitos relacionados à saúde cognitiva e a hábitos saudáveis, o que inclui atividade física, sono adequado, saúde cardiovascular, alimentação e interação social.
Mais do que aprender por medo de adoecer, a proposta é continuar experimentando e mantendo uma relação ativa com o mundo.
”Conviver, conversar, aprender e compartilhar experiências são maneiras diferentes de manter o cérebro ativamente envolvido com o mundo,” salienta Freitas.
Na rotina da Unati, essa experiência aparece em diferentes formas: uma nova técnica de pintura, uma música, uma conversa, uma aula de saúde ou simplesmente a oportunidade de conhecer alguém.
Para os alunos, são experiências que ajudam a dar novos significados a uma fase da vida que também pode ser marcada por descobertas.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste