Biblioterapia amplia interação de pacientes do CAPS
Em parceria com o CAPS II, projeto da Unoeste utiliza leitura e atividades culturais para estimular convivência, aprendizado e expressão
A Unoeste retomou, nesta quinta-feira (20), as atividades do segundo semestre do projeto Biblioterapia, desenvolvido em parceria com o Caps II (Centro de Atenção Psicossocial). Realizado a cada 15 dias, o projeto promove momentos de interação, acolhimento e convivência, aproximando os pacientes de experiências que integram cultura, aprendizado e cuidado com a saúde mental.
Para marcar o retorno dos encontros, os participantes foram envolvidos em uma atividade organizada pelo professor convidado Josué Pantaleão. A proposta teve início com a leitura de um texto sobre fadas. Na sequência, cada paciente foi convidado a compartilhar a própria interpretação da história, estimulando a expressão de ideias, percepções e sentimentos. Para finalizar, os participantes produziram desenhos inspirados no conteúdo lido, tornando a experiência ainda mais visual e lúdica.
A atividade também contou com a participação da estudante Laura Georgetti Feltrin, do 6º termo de Psicologia, que acompanhou o encontro junto aos pacientes. As ações são realizadas quinzenalmente pela Rede de Bibliotecas da Unoeste (Unidade de Informação 5) em parceria com o curso de Psicologia.
“Estar em contato com eles é uma oportunidade de entender na prática a importância da escuta, do acolhimento e da convivência. A gente aprende muito na sala de aula, mas aqui consegue enxergar isso acontecendo de verdade”, comenta Laura.
Sentimento de pertencimento ganha espaço
Para a assistente social do Caps II, Sara Dias, a proposta inicial da parceria era proporcionar aos pacientes uma experiência diferente da rotina do serviço e ampliar as possibilidades de convivência social.
A expectativa inicial foi rapidamente superada pela forma como os participantes passaram a se envolver com os encontros. A cada nova atividade, eles demonstraram ansiedade e entusiasmo para retornar à universidade, além de compartilharem a experiência com familiares e outras pessoas do convívio.
“Eles começaram a ficar muito ansiosos pro próximo encontro. E falar pra todo mundo e pra família que estuda na Unoeste, que vem na Unoeste. Então, eles geram toda uma ansiedade de estar aqui”, relata Sara.
A profissional também destaca que a vivência no ambiente universitário contribuiu para o desenvolvimento da própria percepção dos participantes sobre os espaços de convivência.
"Ao frequentarem a Unoeste regularmente, eles passaram a reconhecer o local e compreender as dinâmicas desse ambiente. Você vê que eles se comportam, eles sabem como se comportar aqui, que aqui é o lugar de estudar. Então, eles sabem que na biblioteca é um lugar que têm que falar baixinho, por exemplo”, conta.
Novo interesse pela aprendizagem
Um dos resultados mais significativos observados pela equipe do Caps II foi o surgimento de novas demandas trazidas pelos próprios participantes. A experiência com a Biblioterapia despertou o interesse pelo aprendizado, especialmente entre aqueles que ainda não dominam a leitura e a escrita.
“O que foi muito além do nosso esperado é que hoje eles já trazem uma demanda: ‘Eu quero aprender a ler, eu quero aprender a escrever’. Hoje, quem não sabe escrever, não sabe ler, já começa a trazer esses pedidos”, afirma a assistente social.
Para a profissional, os resultados alcançados pela parceria entre o Caps II e a Unoeste demonstram que os efeitos do projeto ultrapassam a proposta inicial. “Como profissional e como ser humano, o que trouxe até aqui e o que ainda pode trazer é muito além do que a gente imagina”, conclui Sara.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste