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Mudanças climáticas elevam risco de alergias em vias aéreas

Pneumologista e professor da Unoeste explica como o frio, o tempo seco e as mudanças climáticas favorecem crises respiratórias e orienta sobre prevenção


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Foto: João Paulo Barbosa Mulher utiliza um lenço de papel para assoar o nariz, ilustrando o aumento de crises de rinite durante o período de frio
Frio, baixa umidade e permanência em ambientes fechados favorecem o aumento dos casos de alergias respiratórias durante o inverno

Diante do inverno e da baixa umidade do ar, cresce também o número de pessoas que procuram atendimento por causa de alergias respiratórias. Rinite, asma, sinusite alérgica e conjuntivite estão entre os problemas mais comuns nesta época do ano, quando a concentração de poeira, ácaros e poluentes aumenta e os ambientes fechados passam a fazer parte da rotina.

O inverno segue até 22 de setembro, às 21h05 (horário de Brasília), e, segundo o pneumologista e professor da Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), Dr. Paulo José Mascarenhas Mazaro, as condições típicas da estação favorecem diretamente o agravamento das doenças respiratórias.

"O frio e o tempo seco aumentam a concentração de alérgenos no ar. Além disso, as pessoas permanecem mais tempo em locais com pouca circulação de ar, o que amplia a exposição aos agentes que desencadeiam as alergias", explica.

Entre os quadros mais frequentes estão a rinite alérgica, a asma, a conjuntivite e a piora da sinusite de origem alérgica, provocada pela inflamação das vias respiratórias e pelo ressecamento das mucosas.

Nem toda coriza é gripe

Embora compartilhem alguns sintomas, alergias respiratórias e infecções virais apresentam diferenças importantes. Enquanto as alergias costumam provocar espirros repetidos, coceira no nariz, olhos e garganta, além de coriza transparente, a gripe geralmente vem acompanhada de febre, dores no corpo, mal-estar e secreção nasal mais espessa. "Quando os sintomas persistem ou há dificuldade para diferenciar uma condição da outra, o ideal é procurar avaliação médica para receber o tratamento adequado", orienta.

Umidade baixa agrava os sintomas

A baixa umidade do ar também favorece o ressecamento das vias respiratórias, tornando as mucosas mais suscetíveis a irritações e processos inflamatórios.

Para reduzir esses efeitos, o professor recomenda manter boa hidratação, fazer higiene nasal com soro fisiológico, evitar exposição prolongada à poluição e utilizar umidificadores de forma correta ou recipientes com água para melhorar a umidade dos ambientes.

Dentro de casa, medidas simples também ajudam na prevenção. Manter os cômodos ventilados, lavar roupas de cama semanalmente, utilizar capas antialérgicas em colchões e travesseiros, controlar a umidade para evitar mofo e reduzir o acúmulo de poeira em tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia diminuem significativamente a exposição aos principais alérgenos.

Crianças e idosos exigem atenção

Os extremos de idade são os mais vulneráveis durante esse período. Crianças ainda apresentam o sistema respiratório em desenvolvimento, enquanto idosos frequentemente convivem com doenças crônicas e menor capacidade de defesa do organismo.

“É importante manter o tratamento prescrito pelo médico, evitar exposição à poeira, fumaça e cheiros fortes, manter boa hidratação, proteger-se do frio e evitar mudanças bruscas de temperatura sempre que possível. Pessoas com asma devem manter seus medicamentos de controle em dia e ter um plano de ação para crises”, explica o médico.

Mudanças climáticas ampliam o problema

Além das características típicas do inverno, as mudanças climáticas vêm contribuindo para o aumento das doenças alérgicas. Alterações na temperatura, na umidade, nos níveis de poluição e na concentração de pólens prolongam a exposição aos alérgenos e favorecem o agravamento dos sintomas.

Segundo o professor, também é importante ficar atento aos sinais de alerta. Falta de ar, chiado no peito, dificuldade para respirar, inchaços importantes ou sintomas persistentes que comprometam o sono, o trabalho ou a qualidade de vida exigem avaliação por um pneumologista.

"A prevenção continua sendo a melhor estratégia. Manter os ambientes limpos e ventilados, hidratar-se adequadamente, seguir o tratamento prescrito pelo médico e evitar a automedicação são atitudes fundamentais. Com cuidados simples, é possível atravessar as mudanças de estação com muito mais conforto e qualidade de vida", conclui.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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