O que o médico faz? Encontro inspira futuros profissionais
Às vésperas de concluir a graduação, uma pergunta ganha novos significados para quem está prestes a deixar a universidade: o que o médico faz além de diagnosticar e tratar doenças?
Foi a partir dessa reflexão que acadêmicos do 11º e 12º termos de Medicina da Unoeste Guarujá participaram, nesta quinta-feira (13), de uma conversa com o Dr. Gabriel de Oliveira Lima Carapeba, no Auditório Bromélia.
Mais do que falar sobre caminhos profissionais, o encontro abriu espaço para histórias, escolhas, dúvidas e expectativas de quem está prestes a iniciar uma nova etapa da vida.
O que o médico faz além do conhecimento técnico?
Ao falar sobre a atuação médica, Dr. Gabriel Carapeba reforçou que o exercício da profissão não se limita ao conhecimento técnico ou ao diagnóstico de doenças. Para ele, o médico também precisa compreender o impacto que suas decisões podem ter na vida do paciente e de quem está ao redor dele.
“Vocês, a partir do momento que se formarem, se tornarão formadores de opinião.”
A partir dessa ideia, chamou a atenção para situações aparentemente simples do cotidiano médico, mas que podem representar mudanças importantes na vida de uma pessoa.
“Uma simples consulta de uma senhora, tratando diabetes ou hipertensão, pode mudar a vida dela. Não deixem de dar importância para cada um desses pacientes. Porque cada um deles vai representar uma rede grande de pessoas.”
A reflexão levou os estudantes a pensar que responder o que o médico faz também passa por reconhecer a responsabilidade de orientar, acolher e tomar decisões com atenção às particularidades de cada história.
Ele reforçou que esse compromisso precisa caminhar junto com equilíbrio emocional e consciência dos próprios limites, especialmente diante das situações difíceis que fazem parte da prática profissional.
Um sonho de infância que encontrou caminho na Medicina
Ao recordar a própria trajetória, o médico que é egresso da Unoeste contou que sua relação com a Medicina começou ainda na infância, antes mesmo de conhecer as áreas da medicina.
“Naquela época, dizia à mãe que gostaria de colocar braços e pernas em quem havia perdido. Anos depois, já durante a minha formação, encontrei na Fisiatria uma especialidade que se aproximava desse desejo”.
“Quando lembrei o que me trouxe para a Medicina, voltei ao sonho de criança. Eu dizia que queria colocar braços e pernas em quem tivesse perdido. Depois, descobri a Fisiatria, uma especialidade médica ligada à reabilitação”.
O caminho, porém, continuou se transformando. Em outro momento da carreira, ele percebeu que precisava ampliar sua formação para lidar melhor com questões emocionais e de saúde mental que surgiam em sua atuação profissional. Foi então que decidiu fazer uma nova residência, desta vez em Psiquiatria.
A escolha também representou um reencontro com uma área pela qual já havia se interessado durante a graduação.
“Na faculdade de Medicina, eu me apaixonei pela Psiquiatria. Depois, acabei me afastando porque, naquele momento, ainda não tinha maturidade para lidar com aqueles pacientes. Hoje, 20 anos depois, estou naquele lugar que achei que não voltaria, exercendo a Medicina novamente diante do paciente”, pontua.
Ao olhar para as mudanças de especialidade, os desafios e as decisões tomadas ao longo dos anos, Dr. Gabriel reforçou aos estudantes que construir uma carreira também significa permitir-se rever caminhos, amadurecer escolhas e reconhecer, com o tempo, aquilo que realmente faz sentido na vida profissional.
“A trajetória nem sempre acontece de forma linear, mas pode ganhar mais sentido quando o profissional mantém viva a lembrança do que o levou à Medicina e do tipo de médico que deseja se tornar”, conclui.
Escolhas também fazem parte da carreira médica
A coordenadora do curso de Medicina da Unoeste Guarujá, professora Dra. Samira El Maerrawi Tebecherane Haddad, explica que o encontro integra as estratégias voltadas aos alunos do internato, especialmente os que estão próximos da formatura.
“Nosso objetivo foi trazer um momento de reflexão que ajudem os estudantes a se prepararem para essa transição entre a graduação e a vida profissional”.
Ela também destaca que essa preparação envolve não apenas as escolhas individuais dos futuros médicos, mas o acompanhamento contínuo da instituição ao longo da formação.
“Nossos alunos estão muito próximos de concluir o curso, então, esse tipo de conversa ajuda a ampliar o olhar sobre o que vem depois da graduação e sobre a responsabilidade de se preparar para a vida médica”.
A coordenadora também ressalta que a formação da faculdade de medicina da baixada santista é construída de forma permanente, com revisões e adaptações que acompanham as necessidades do curso e dos estudantes.
“A Unoeste tem feito um trabalho contínuo com adaptações na matriz curricular, nas diretrizes e nas estratégias voltadas aos alunos do internato”, termina.
Futuros médicos já projetam os próximos passos
Entre os acadêmicos que participaram do encontro, a proximidade da formatura já vem acompanhada de expectativas e decisões sobre a carreira.
Para Eduarda Barcelos de Faria, do 12º termo, a palestra chegou em um momento de incertezas. Ela conta que gosta da área de saúde mental e pretender seguir a carreira na Psiquiatria.
“Eu adorei porque realmente foi uma conversa para dar esperança e eu senti isso mesmo. Nessa fase, a gente está com muita angústia. Não sabe o que vai acontecer, como vai ser a nossa vida. São seis anos com uma rotina de vir para a faculdade e estudar, então agora vai mudar tudo”.
André Pacheco Costa Curta está no 11º termo e já traz uma trajetória anterior na saúde. Formado em Fisioterapia, atua com ortopedia, trauma e esporte e pretende aproximar essa experiência da futura carreira médica.
“Pretendo seguir na Ortopedia, no trauma esportivo e, possivelmente, na Medicina Esportiva. A universidade me deu condições e oportunidades para alcançar um desejo que sempre tive: ajudar as pessoas por meio do conhecimento”.
Quem também definiu o caminho que pretende seguir é Gabriela Lira Machado, do 12º termo. “A Unoeste traz um embasamento forte em neonatologia. Gostei bastante. Hoje, quero fazer Pediatria e Neonatologia”.
Essas trajetórias mostram que a resposta sobre o que o médico faz também passa pelas escolhas construídas antes da formatura. Psiquiatria, Ortopedia, Medicina Esportiva, Pediatria e Neonatologia aparecem como caminhos diferentes, ligados ao cuidado e às experiências de cada estudante.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste