Terapia Ocupacional ganha espaço e amplia oportunidades
Profissões atuam de forma complementar no cuidado à saúde, mas possuem objetivos distintos e crescente demanda no mercado de trabalho
A busca por tratamentos voltados à reabilitação, autonomia e qualidade de vida tem impulsionado o crescimento de diferentes profissões da área da saúde. Entre elas, a Terapia Ocupacional vem conquistando maior visibilidade, embora ainda seja frequentemente confundida com a Fisioterapia.
Apesar de atuarem lado a lado em hospitais, clínicas e equipes multiprofissionais, as duas profissões possuem focos distintos. Enquanto a Fisioterapia está voltada à recuperação e otimização das funções físicas e biomecânicas do organismo, a Terapia Ocupacional concentra sua atuação na funcionalidade da pessoa em seu contexto de vida, considerando aspectos físicos, cognitivos, emocionais e sociais.
De acordo com o coordenador dos cursos de Terapia Ocupacional e Fisioterapia da Unoeste, professor doutor Carlos Eduardo Assumpção de Freitas, compreender essa diferença é fundamental para que pacientes e familiares possam buscar o atendimento mais adequado às suas necessidades.
“A Fisioterapia tem como foco principal a recuperação dos movimentos, da força muscular, da mobilidade e da independência física. Já a Terapia Ocupacional trabalha para que a pessoa consiga realizar suas atividades do cotidiano com autonomia, seja no trabalho, nos estudos, no lazer ou no autocuidado”, explica.
Quando procurar cada profissional?
Segundo o professor, o acompanhamento fisioterapêutico é indicado principalmente para pessoas que apresentam dores, limitações de movimento, lesões musculares, ortopédicas ou neurológicas que comprometam a capacidade física.
Já o terapeuta ocupacional atua quando há dificuldades para realizar atividades da rotina diária ou participar de forma independente da vida social e familiar. “O objetivo é aumentar a autonomia, a independência e a participação da pessoa em atividades que dão significado à sua vida”, destaca.
A atuação da Terapia Ocupacional vai além do tratamento de doenças ou limitações físicas. O profissional avalia como fatores emocionais, cognitivos, sociais e ambientais interferem na realização das atividades diárias e desenvolve estratégias para ampliar a funcionalidade e a qualidade de vida dos indivíduos.
Mercado em expansão
O crescimento da procura por serviços de Terapia Ocupacional tem chamado atenção no setor da saúde. Dados do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) apontam aumento superior a 35% nas contratações formais da categoria nos últimos anos.
Entre os fatores que impulsionam essa expansão estão o envelhecimento da população, a ampliação dos serviços de reabilitação, a crescente atenção à saúde mental e o fortalecimento das políticas de inclusão de pessoas com deficiência.
Além disso, há estimativas de déficit de profissionais em diversas regiões do país, o que amplia as oportunidades para quem deseja ingressar na área.
“O mercado vem crescendo tanto no setor público quanto no privado. Existe uma demanda cada vez maior por profissionais capazes de promover autonomia, inclusão social e qualidade de vida”, afirma Carlos Eduardo.
Áreas de atuação
Embora muitas pessoas associem a Terapia Ocupacional apenas ao ambiente hospitalar, o campo de atuação é bastante amplo.
Os profissionais podem atuar em áreas como saúde mental, pediatria, geriatria e gerontologia, reabilitação física, atenção básica, saúde do trabalhador, tecnologia assistiva, hospitais, clínicas especializadas e instituições educacionais.
Atualmente, os segmentos com maior crescimento são os atendimentos voltados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), ao desenvolvimento infantil e à saúde mental.
“O terapeuta ocupacional é um profissional essencialmente multiprofissional. Ele complementa avaliações, participa do planejamento interdisciplinar e desenvolve intervenções práticas voltadas à autonomia e à participação social das pessoas”, comenta.
Formação voltada à prática
Para atender às demandas do mercado e às diretrizes nacionais da profissão, o curso de Terapia Ocupacional da Unoeste foi estruturado com formação generalista, abrangendo as diferentes áreas de atuação.
Os estudantes têm acesso a laboratórios e ambientes de prática desde os primeiros termos, incluindo o Laboratório de Metodologia e Inovação Tecnológica (Labmit), Arena Lab, Laboratório de Habilidades e Simulação, Sala Betha e Casa Simulada.
A proposta é proporcionar contato gradual com a prática profissional, passando pela observação, simulação clínica, atendimento supervisionado e estágios em diferentes contextos. “Buscamos formar profissionais com sensibilidade humana, responsabilidade social, ética, criatividade e capacidade de atuar em equipes multidisciplinares, sempre com foco na promoção da autonomia e da inclusão”, explica o coordenador.
Profissão do futuro
Entre as tendências para os próximos anos estão o crescimento da demanda por cuidados voltados à população idosa, a expansão dos serviços ligados ao neurodesenvolvimento infantil, o fortalecimento da saúde mental e o avanço das tecnologias assistivas.
Para o professor Carlos Eduardo, a Terapia Ocupacional reúne características cada vez mais valorizadas pela sociedade contemporânea. “É uma profissão que alia conhecimento técnico, cuidado humanizado e compromisso com a qualidade de vida. O futuro é promissor para quem deseja atuar ajudando pessoas a viverem de forma mais independente e participativa”, conclui.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste