Semana Inclusiva abre debate sobre direitos e capacitismo
Atividades na Unoeste aproximam comunidade acadêmica de temas como acessibilidade, participação, permanência e empregabilidade
Garantir o acesso é apenas o primeiro passo para uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Para que pessoas com deficiência possam estudar, trabalhar e participar plenamente da vida em sociedade, também é preciso enfrentar barreiras físicas, comunicacionais e, principalmente, atitudinais. Esse foi o ponto de partida dos debates realizados nesta semana na Unoeste, dentro da programação da Semana Inclusiva, que reuniu comunidade acadêmica e representantes da sociedade para discutir capacitismo, acessibilidade, direitos, participação, permanência e empregabilidade.
Em dois momentos, nesta segunda (21) e terça-feira (22), os campi de Presidente Prudente receberam atividades voltadas ao tema. No campus 2, o debate “Do Capacitismo à Inclusão – Acesso, Participação e Permanência da Pessoa com Deficiência” colocou em discussão os obstáculos impostos pelo preconceito e pelas atitudes capacitistas. Já no campus 1, a roda de conversa “Pode Perguntar!” abordou questões mais diretamente relacionadas ao acesso ao mercado de trabalho, como processos seletivos, laudos médicos, direitos e empregabilidade. A atividade também foi transmitida para os campi de Jaú e Guarujá.
Mais do que integrar a programação da Semana Inclusiva, as atividades aproximaram a comunidade acadêmica de questões que atravessam a educação, a saúde, o trabalho e a convivência social. A proposta foi ampliar o conhecimento sobre os direitos da pessoa com deficiência e estimular uma reflexão sobre as barreiras que ainda dificultam acesso, participação e permanência.
Universidade como espaço de reflexão
A professora da Psicologia da Unoeste, Dra. Jéssica Gorrão Lopes Albertini participou da formação realizada no campus 2. Para ela, um dos principais ganhos foi possibilitar que pessoas com deficiência tivessem espaço de fala e pudessem apresentar suas próprias experiências.
Segundo ela, compreender acessibilidade, inclusão e capacitismo é fundamental tanto para quem está na universidade quanto para os futuros profissionais que poderão atuar diretamente com a população. “A discussão sobre a inclusão, a permanência e a participação da pessoa com deficiência se torna essencial para a formação de profissionais comprometidos com o bem-estar da sociedade como um todo”, destaca.
Capacitismo e as barreiras da sociedade
A formação do campus 2 foi conduzida por Salvador Cruz Neto, coordenador da Coordenadoria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Presidente Prudente. Para ele, a conscientização sobre capacitismo precisa caminhar junto com a criação de oportunidades concretas de inclusão.
A palestra abordou as barreiras atitudinais, os preconceitos e comportamentos que podem limitar a participação das pessoas com deficiência. Houve ainda a participação especial do artista Milton Takao Mizukawa, com uma exposição de seus desenhos. Já a atividade realizada na Biblioteca trouxe uma abordagem mais prática, envolvendo temas como processos seletivos, laudos médicos, direitos e oportunidades profissionais.
“Não existe inclusão profissional sem antes enfrentarmos o capacitismo e mudarmos a forma como a sociedade enxerga a pessoa com deficiência. Ao mesmo tempo, a conscientização precisa se transformar em oportunidades concretas”, afirma Salvador.
De acordo com o coordenador, as barreiras podem ser físicas, comunicacionais, tecnológicas e atitudinais. Na educação, elas podem envolver falta de recursos de acessibilidade, materiais adequados, tecnologias assistivas e profissionais preparados. No mercado de trabalho, aparecem também em processos seletivos, ambientes profissionais e na falta de conhecimento sobre adaptações necessárias.
Para ele, inclusão não significa somente permitir a entrada em determinado espaço. É preciso garantir condições para que a pessoa possa permanecer, participar, desenvolver seus talentos e construir sua trajetória.
Inclusão também passa pela empregabilidade
A coordenadora da Rede de Bibliotecas Unoeste, Regina Rita Liberati Silingovschi, destacou que garantir acesso ao mercado de trabalho representa também ampliar autonomia, possibilitar o desenvolvimento de projetos de vida e favorecer a participação plena na sociedade. “Por isso, precisamos continuar trabalhando para eliminar barreiras, ampliar a acessibilidade e aproximar as pessoas com deficiência das oportunidades profissionais”, pontua.
Ela explica que a Unoeste conta com o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), que desenvolve políticas de acessibilidade e propõe ações de inclusão nos espaços físicos e acadêmicos dos campi. Para Regina, a Semana Inclusiva visa justamente criar um espaço para promover essa reflexão e, acima de tudo, transformar a reflexão em ações concretas.
Conhecimento para transformar práticas
Para Salvador, levar esse debate para dentro da universidade significa contribuir para a formação de profissionais mais conscientes sobre direitos da pessoa com deficiência, acessibilidade e inclusão.
“Quando levamos a discussão sobre deficiência, capacitismo, acessibilidade, direitos e empregabilidade para esse espaço, estamos formando profissionais mais conscientes e preparados para construir ambientes inclusivos”, explica.
Jéssica também destaca o papel do conhecimento nesse processo. Para ela, formações como a realizada na Unoeste ajudam os participantes a refletir sobre suas próprias crenças e práticas, contribuindo para mudanças no contexto universitário e profissional.
Eventos seguem até sexta-feira em Prudente
A Semana Municipal de Conscientização e Luta dos Direitos da Pessoa com Deficiência é realizada pela Prefeitura de Presidente Prudente, por meio da Coordenadoria Municipal da Pessoa com Deficiência. As ações, que começaram no dia 19 seguem até sexta-feira (25). A programação conta com atividades voltadas à inclusão, conscientização, educação, empregabilidade, prevenção e valorização das pessoas com deficiência.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste