Confira métodos de estudo eficientes para aprender melhor
Estratégias de organização, foco e resolução de questões ajudam estudantes a encontrar formas mais produtivas de estudar e melhorar o aproveitamento da rotina acadêmica
Encontrar métodos de estudo eficientes que melhor se adaptem a rotina e os objetivos de cada pessoa pode fazer diferença no processo de ensino/aprendizagem. Da preparação para o vestibular à graduação, as estratégias podem mudar conforme o conteúdo, o tempo disponível e a forma como cada estudante aprende.
Na Faculdade de Medicina da Unoeste, por exemplo, os estudantes relataram mudança nos hábitos construídos antes da universidade. A resolução de questões, o uso de materiais dos professores, a leitura de livros e a produção de resumos estão entre as estratégias utilizadas atualmente.
Do vestibular à universidade
A preparação para o vestibular já permite que o estudante descubra quais estratégias favorecem sua aprendizagem. É o caso de Isabella Lucena, do 2° termo de Medicina. Antes de ingressar na universidade, ela fez cursinhos presencial e remoto e utilizava principalmente videoaulas e resolução de questões.
Além de responder exercícios, Isabella buscava diferentes fontes para esclarecer dúvidas e produzia uma redação por semana para o Enem. “Eu usava artigos ou pegava questões de internet ou às vezes meus próprios professores formulavam perguntas e ia respondendo”, conta.
No curso, a estratégia ficou mais ampla. Quando tem tempo, ela começa pelos materiais disponibilizados pelos professores, aprofunda o conteúdo nos livros e retoma o que foi discutido em aula. Durante a leitura, produz resumos e, depois, parte para as questões.
Quando não recebe exercícios prontos, Isabella utiliza os objetivos de aprendizagem e o plano de ensino para formular perguntas sobre o conteúdo. A resolução de questões, portanto, continua presente, mas combinada a outras técnicas de estudo.
Encontrar o próprio jeito de estudar
A mudança do cursinho para a universidade também exigiu adaptação para Isabelly Eduarda Porto Carvalho, do 8° semestre de Medicina. Antes da graduação, ela estudava com cursinho e apostilas. Ao entrar na faculdade, percebeu que a forma de estudar precisa ser diferente, e se preocupou.
“Me desesperei. Pensei que teria que estudar por livros e ler muito! Teria de ler todos os livros do mundo, pois, senão eu não iria aprender nada”, lembra.
Com o tempo, Isabelly passou a combinar os conteúdos dos professores com livros, pesquisas e resolução de questões. Os exercícios também passaram a funcionar como uma forma de verificar se realmente havia compreendido o conteúdo.
“A minha dica é estudar por questão”, afirma. Para ela, porém, não existe uma fórmula única. “Você tem que achar o seu jeito de estudar”, destaca.
A experiência mostra que métodos de estudo podem ser ajustados ao perfil de cada estudante. Enquanto algumas pessoas aprendem melhor escrevendo, outras preferem ouvir, ler ou testar o conhecimento por meio de perguntas e exercícios.
Organização ajuda a aproveitar o tempo
Para o professor da Faculdade de Psicologia da Unoeste Guarujá, Ricardo Kutschinsky, além da escolha das técnicas, organização e foco são fundamentais.
O docente, que também é neuropsicopedagogo e mestre em Processos de Ensino, indica que o primeiro passo para o sucesso nos estudos é reunir e organizar os materiais fornecidos pelos docentes. Com os conteúdos estruturados, o aluno consegue visualizar a quantidade de informações que precisa dominar e estimar quanto tempo será necessário para estudá-las.
“A organização pode ser feita de diferentes maneiras, como em agenda física, calendário digital ou outras ferramentas de planejamento. A inteligência artificial (IA) também pode auxiliar nesse processo, desde que seja utilizada de forma criteriosa”, orienta.
Dicas para tornar o estudo mais eficiente
De acordo com o professor, algumas estratégias podem ajudar o estudante a estruturar melhor a rotina e aumentar a qualidade do tempo dedicado à aprendizagem:
- Organize os materiais: tenha um cronograma de estudos e reúna slides, livros, artigos e outros conteúdos antes de iniciar o estudo.
- Defina períodos de foco: estabeleça um intervalo específico para estudar e evite interrupções durante esse período.
- Reduza as distrações: celular, televisão, notificações e outras telas podem competir pela atenção e dificultar a concentração.
- Combine estratégias: leitura, resolução de questões, resumos e mapas mentais podem ser utilizados de acordo com o conteúdo e a necessidade.
- Vá além do marca-texto: Kutschinsky aponta limitações do uso do grifo como estratégia de aprendizagem e recomenda uma participação mais ativa na compreensão do conteúdo.
- Use a inteligência artificial (IA) com senso crítico: ferramentas generativas podem auxiliar nos estudos, mas as respostas precisam ser verificadas e confrontadas com fontes confiáveis.
Foco também se aprende
Manter a atenção durante o estudo é outro ponto destacado pelo docente. Segundo ele, ambientes com muitos estímulos podem dificultar a concentração e, consequentemente, a retenção das informações.
Uma alternativa é estabelecer períodos específicos de dedicação ao conteúdo. O estudante pode, por exemplo, programar um alarme para reservar determinado intervalo exclusivamente para o estudo, sem alternar entre diferentes dispositivos ou atividades.
A adaptação pode levar algum tempo, mas a criação de uma rotina favorece a construção do hábito. Nesse processo, o objetivo não é apenas passar mais horas diante dos materiais, mas aproveitar melhor o período dedicado à aprendizagem.
Inteligência artificial exige pensamento crítico
Entre as ferramentas que passaram a fazer parte da rotina de estudos está a inteligência artificial. Isabella, por exemplo, utiliza recursos de IA de maneira interativa, inclusive para transformar o estudo em uma espécie de teste: ela solicita perguntas sobre determinado assunto, responde e pede correções ou explicações quando necessário.
Ela também utiliza uma ferramenta capaz de trabalhar com materiais fornecidos pelo próprio usuário, como slides, PDFs, livros e artigos, gerando questões, resumos, mapas mentais e outros recursos de apoio. Para a estudante, as perguntas são especialmente úteis para revisar os conteúdos.
O professor Kutschinsky considera a inteligência artificial uma ferramenta importante, mas ressalta que seu uso exige atenção. “Você precisa entender do assunto para saber se aquilo que ela está falando está certo ou não”, alerta.
A recomendação reforça a importância do conhecimento prévio e do pensamento crítico. A IA pode contribuir para organizar, revisar e explorar conteúdos, mas não substituir a compreensão do estudante nem a consulta a materiais de referência.
Método pode mudar conforme a necessidade
A escolha dos métodos de estudo também pode variar ao longo da formação. Murilo Duarte, do 5° termo de Medicina, chegou à universidade acreditando que o curso seria ainda mais difícil do que realmente é.
A experiência mostrou que a graduação exige dedicação, especialmente pela responsabilidade envolvida na formação médica, mas também que é possível encontrar uma rotina sustentável. “É difícil, requer adaptação, mas dá para fazer”, resume.
Assim como Isabella, Isabelly e Murilo, cada estudante pode precisar ajustar suas estratégias ao longo da formação. Mais do que seguir um método considerado universalmente eficiente, o caminho passa por identificar como aprende melhor, organizar o tempo, manter o foco e avaliar se a estratégia escolhida realmente está produzindo aprendizagem.
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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste